Atenção e Concentração

No esporte, o atleta deve estar com a atenção voltada aos aspectos mais relevantes do jogo ou da prova, uma vez que a vitória é definida, na maioria das vezes, por pequenos detalhes. Por outro lado, não se deve prestar atenção em situações inicialmente consideradas irrelevantes para o desempenho, como as manifestações da torcida ou dos espectadores, que podem distrair o atleta e fazê-lo perder de ritmo.

Em alguns esportes, algumas partidas chegam a durar mais de três horas, o que exige que os jogadores se mantenham atentos por um longo período.


Para Samulski, atenção “é um estado seletivo, intensivo e dirigido da percepção; por sua vez, atenção seletiva é a capacidade de manter o foco de atenção sobre estímulos relevantes do ambiente”

Quando o ambiente se altera de forma rápida, consequentemente, o foco de atenção também será alterado. Nesse sentido, a atenção tem como elementos importantes a focalização dos estímulos relevantes, a manutenção do nível de atenção por um determinado período e a tomada de consciência sobre a situação.

Determinadas variáveis interferem nos processos de atenção e de concentração. Uma delas, de acordo com Samulski (2009), é o nível de ativação. Segundo o autor, estudos indicaram que o nível ótimo de desempenho e de atenção do atleta ocorre por volta do meio-dia e atinge o pico quatro horas após um período de sono prolongado.


Nideffer desenvolveu um modelo bidimensional da atenção baseado na amplitude e na direção. A amplitude pode ser ampla ou estreita, enquanto a direção pode ser externa ou interna, conforme descrições a seguir:

a) amplitude ampla – atenção simultânea às diferentes informações percebidas; b) amplitude estreita – atenção a um único aspecto da situação; c) direção externa – atenção dirigida aos estímulos do ambiente; d) direção interna – atenção voltada às próprias percepções, sentimentos e pensamentos

O modelo de Nideffer sobre a atenção consiste na combinação da amplitude e da direção, resultando nas seguintes formas de atenção: ampla-externa, ampla-interna, estreita-externa e estreita-interna.


Diferentes Formas De Atenção

No cenário esportivo, as categorias apresentadas anteriormente na Figura acima podem ser exemplificadas conforme as seguintes descrições, segundo Samulski:

a) ampla-externa – O goleiro de handebol, o armador central devem estar atentos a diversos fatores do ambiente, tais como as movimentações do atacante e do bloqueador, a velocidade e a trajetória da bola, bem como sua posição em quadra, para realizar a defesa, assim como também outros jogadores de linha de handebol, como Armadores direito e esquerdo tanto na defesa quanto no ataque;

b) ampla-interna – reflete o planejamento de ações táticas futuras. Por exemplo: ao idealizar o seu desempenho técnico e tático dos próximos jogos, o sujeito está exercitando o foco amplo e interno da atenção. As equipes costumam exibir sessões de vídeos de jogos de seus próximos adversários com o intuito de desenvolver estratégias de jogo.

c) estreito-externo – o goleiro de handebol, ao tentar defender um tiro de 7 metros, deve focar especificamente no atleta arremessador e na bola;

d) estreito-interno – reflete a regulação do nível de tensão interna e do estado emocional antes de uma decisão (partida final de campeonato).


De acordo com Samulski, esportistas que não dispõem de níveis ótimos de atenção e de concentração podem não alcançar altos índices de desempenho. Com o intuito de promover a capacidade de concentração, Samulski recomenda que os professores ou técnicos, bem como os atletas identifiquem os estímulos relevantes das tarefas e analisem as características e exigências da situação, de modo a escolher a forma mais adequada de atenção.

Além disso, o desenvolvimento do pensamento positivo é fundamental e, por isso, os professores devem orientar seus atletas a se concentrarem nos aspectos positivos e a evitar pensamentos negativos e irrelevantes durante as aulas ou treinos ou mesmo nos jogos ou competições.

Um princípio ou conceito tático, desenvolvido em campo ou em quadra, não deve ser empregado apenas no ensino do posicionamento dos participantes ou do controle do jogo, mas também deve estimular, por meio do esporte, habilidades cognitivas como a concentração e a atenção. Por fim, não se deve esperar que isso ocorra naturalmente pelo desenvolvimento dos treinos – deve ser um aprendizado intencional, retomado e discutido nas rodas finais e em situações extracampo do programa esportivo.



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