Diferenças entre - Multidisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade

Atualizado: 16 de jun. de 2020

Embora não exista uniformidade na conceituação dos termos vamos adotar aqui as noções mais prevalentes nos trabalhos realizados por aqueles que estudam estas questões relativas à produção do conhecimento e suas aplicações. Alguns desses nomes são Jean Piaget, Guy Berger, Georges Gusdorf, Erich Jantsch, Guy Palmade, Edgar Morin, Ilya Prigogine e, sobretudo, Basarab Nicolescu.


Disciplinaridade – é a abordagem que agrega o conhecimento especializado de uma disciplina ou ramo da ciência. Refere-se a um conjunto específico de conhecimentos, com características e métodos próprios, sem relações aparentes com outras áreas do saber. Cada uma dessas áreas busca a compreensão dos fenômenos ou fatos através da sua leitura de mundo, própria, exclusiva e particular.

Foi dentro deste modelo que o todo o conhecimento evoluiu em praticamente todas as áreas de saber durante o século 20. Este modelo, entretanto, como estamos tentando demonstrar, vem atingindo seu ponto de esgotamento, exigindo novas abordagens para a compreensão da realidade.


Multidisciplinaridade (Pluridisciplinaridade) – é a abordagem que faz a justaposição de duas ou mais disciplinas na busca de uma melhor compreensão dos fatos ou fenômenos. Esta aproximação entre as diferentes áreas, mantém, em essência, a natureza própria da especificidade de cada uma delas. Isto significa que um assunto pode ser trabalhado em várias disciplinas, mas cada uma delas seguindo seus próprios métodos. Não existe uma tentativa de síntese entre as diferentes áreas do conhecimento. Por isso que é muito comum, nas reuniões multidisciplinares, no esporte a utilização de frase como: “Se cada um fizer bem a sua parte, tudo funcionará perfeitamente” “Para um bom entendimento entre nós (especialistas em áreas específicas do saber) é preciso que cada um respeite a área do outro” e assim por diante. A multidisciplinaridade é também uma abordagem que apresenta limitações no sentido de uma compreensão mais ampliada da realidade.


Interdisciplinaridade – é a abordagem que busca a interação e a cooperação entre duas ou mais disciplinas. Diferentemente da multidisciplinaridade, existe aqui um fator de coesão entre saberes distintos. Contudo, na prática, às vezes se torna difícil saber se estamos adotando uma postura multidisciplinar ou interdisciplinar. Essas diferenças, em alguns casos, são sutis. A interação e a cooperação entre duas ou mais disciplinas dependem fundamentalmente de atitudes subjetivas das pessoas que participam do processo de construção do conhecimento.

Para G. Berger, a interação e a cooperação podem variar desde a simples comunicação das ideias até a integração mútua dos conceitos diretores da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização de um conjunto de conhecimentos, da investigação ou do ensino correspondente.

Ainda no terreno prático, o que se observa é que, muitas vezes, um grupo interdisciplinar compõe-se de pessoas que receberam sua formação em diferentes domínios do conhecimento (disciplinas) com seus métodos, conceitos, dados e termos próprios, e, portanto, exige-se um esforço de todos para que possam exercer uma autêntica interdisciplinaridade.

Conforme G. Gusdorf, os especialistas das diversas disciplinas devem estar animados de uma vontade comum e de uma boa vontade. Cada um deve se esforçar para ir para fora do seu domínio próprio e da sua própria linguagem técnica para se aventurar num domínio de que não é proprietário exclusivo. A interdisciplinaridade pressupõe abertura de pensamento, curiosidade que se busca além de si mesmo.


Transdisciplinaridade – representa o estágio mais avançado entre os modos de produção do conhecimento. De forma semelhante à interdisciplinaridade, busca compreender o conhecimento como algo além do que é produzido pelas disciplinas, estas que, como sabemos, têm seus objetos, linguagens e métodos próprios. Mas ultrapassa o conceito de interdisciplinaridade na medida em que, além de exigir uma postura e uma atitude de total abertura e respeito à diversidade e a complexidade de todos os fenômenos, reconhece que não há referenciais – culturais, étnicos, científicos e religiosos.

Também diferentemente da interdisciplinaridade, que procura integrar as distintas linguagens características de cada área do saber, a transdisciplinaridade busca a construção de um único domínio linguístico, capaz de refletir a multidimensionalidade da realidade. Igualmente ao modo de produção do conhecimento interdisciplinar, a transdisciplinaridade exige a cooperação, a coordenação e a sinergia entre as disciplinas, mas fundamentalmente com o objetivo de transcendê-las.

É por isso que dizemos que a transdisciplinaridade aponta para um conhecimento que está ao mesmo tempo entre, através e além de todas as disciplinas. Ela significa o reconhecimento da interdependência de todos os aspectos da realidade. Seu objetivo é a tentativa de compreensão da realidade como um todo e não de fragmento dela, como se propõe cada disciplina. Busca, enfim, a unidade do conhecimento.

É considerado por alguns, como um movimento de reintegração da ciência, da arte e das tradições espirituais em busca de uma compreensão mais ampla da realidade ou do mundo em que vivemos. Para isso é preciso levar em conta todos os aspectos que envolvem esta nossa realidade e nossa existência, dentro de toda a sua complexidade. Levando-se em conta não só os aspectos estritamente objetivos, como também aqueles considerados subjetivos tais como: crenças, religiosidade, espiritualidade, cultura, costumes, tradições, valores, sentimentos, emoções, intuição etc.

Esta abordagem transdisciplinar muda radicalmente a tradicional postura científica que não admite subjetividades em seu espectro de análise da realidade.

Multidisciplinaridade -cada um no seu quadrado

O trabalho visa avaliar o atleta de maneira independente e executando seus planos de treinamento como uma “camada adicional” de serviços (Bruscato et al, 2004).

Logo, não existe um trabalho coordenado por parte dessa equipe e uma identidade grupal. O técnico, em geral, é responsável pela decisão da equipe, e os outros profissionais vão se adequar a demanda do atleta e as decisões do técnico referente ao atleta;

É um conjunto de disciplinas estudadas de maneira não-linear entre si. Esse processo objetiva a construção de um conhecimento sólido e não correlato, permitindo assim um conhecimento não especializado, porém mais polivalente e eclético. A principal diferença entre multidisciplinaridade e pluridisciplinaridade é o fato de que dessa última procura criar associações hierárquicas entre as disciplinas.

A multidisciplinaridade ocorre quando há mais de uma área de conhecimento em um determinando projeto ou propósito, mas cada uma destas disciplinas mantém seus métodos e teorias em perspectiva.

Serve para resolver problemas imediatos e não possui foco na articulação e nos ganhos colaborativos.


Interdisciplinaridade

A abordagem em equipe deve ser comum a toda a assistência à saúde física e emocional. Isso porque o principal aspecto positivo da atuação em equipe interdisciplinar é a possibilidade de colaboração de várias especialidades que denotam conhecimentos e qualificações distintas.

Assim, a integração da equipe técnica (técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, médicos e psicólogos) é imprescindível para que o atendimento e o cuidado alcance a amplitude do ser humano, transcendendo a noção de conceito de saúde. (Campos,1995).

A interdisciplinaridade como objetivo repassar as disciplinas de maneira correlata, criando assim um vínculo que possa originar novas descobertas, disciplinas ou até mesmo áreas do conhecimento.

Neste caso, mais de uma disciplina se une em um projeto comum, com um planejamento que as relacione. Durante o processo, estas áreas trocam conhecimentos e enriquece ainda mais as possibilidades. Como resultado, há um novo saber, menos fragmentado e mais dinâmico.


Transdisciplinaridade

Ela tenta suprir uma anomalia do sistema anterior, não destrói o antigo, apenas é mais aberta, mais ampla. A necessidade da transdisciplinaridade decorre do desenvolvimento dos conhecimentos, da cultura e da complexidade humana. Essa nova complexidade exige tecer os laços entre a genética, o biológico, o psicológico, a sociedade, com a parte espiritual ou o sagrado devendo também ser reconhecidos.

É uma epistemologia, uma metodologia proveniente do caminho científico contemporâneo, adaptado, portanto, aos movimentos societários atuais (PAUL, 2005).

A transdisciplinaridade se preocupa com uma interação entre as disciplinas, promove um diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e seus dispositivos, visa cooperação entre as diferentes disciplinas (IRIBARYY, 2003).

Trata-se de um nível bem superior e complexo de integração contínua e ininterrupta dos conhecimentos tal como conhecemos hoje.

Neste caso, não há mais disciplinas segmentadas, mas o propósito da vida e do conhecimento é a relação complexa dos diversos saberes sendo que nenhum é mais importante que o outro.

É um processo dialógico onde as relações disciplinares não estão mais em foco, não são mais importantes.


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