TRANSTORNO OPOSITIVO DESAFIADOR (TOD)

Atualizado: 21 de jun. de 2020

Crianças extremamente teimosas, agressivas quando contrariadas, com tendências vingativas e avessas a qualquer frustração pode apresentar intensas dificuldades em conviver socialmente com sua família e com figuras de autoridade. Tais comportamentos podem ser sinais componentes do Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).

Crianças e adolescentes com TOD desafiam as regras morais e sociais e também tendem a perturbar deliberadamente quem as rodeiam.

Os comportamentos do transtorno de oposição desafiante podem se manifestar em apenas um ou em vários ambientes, como escola, casa, casa de familiares e amigos, entre outros.

Os primeiros sinais do transtorno opositivo desafiador normalmente se manifestam na idade pré-escolar. O aparecimento do transtorno pela primeira vez na adolescência é menos frequente.

Apesar desses comportamentos serem considerados normais em um ou outro momento da infância e adolescência, no transtorno opositivo desafiador essas atitudes são constantes e excessivas quando comparadas com as outras crianças.

O transtorno desafiador opositivo (TDO) é considerado um transtorno de personalidade e é mais comum do que se pensa em crianças. Ainda se sabe pouco sobre a origem do transtorno, mas é muito provável que fatores genéticos sejam uma das causas, assim como o ambiente em que a criança está inserida também contribua para a manifestação do transtorno, por exemplo se ela está inserida em um ambiente doméstico onde predominam os conflitos e brigas conjugais, uso excessivo de drogas, entre outros desajustes, ela tem mais probabilidade em desencadear o transtorno.

O transtorno desafiador opositivo também é conhecido como transtorno opositivo desafiador (TOD); transtorno desafiador e de oposição (TDO); transtorno de oposição desafiante (TOD); transtorno desafiador de oposição (TDO) e transtorno opositor desafiado (TOD). No CID 10 que é a Classificação Internacional de Doenças, este transtorno é encontrado como F 91.3 – Distúrbio Desafiador e de Oposição.

Comportamentos frequentes de desobediência, tendência ao desafio e até mesmo a hostilidade para com os adultos e todo aquele que de certa forma representa uma figura de autoridade, são características marcantes nos portadores do transtorno desafiador opositivo. Nesta lista destacam-se pais e professores, os grandes desafiados e os mais necessitados de orientação em como lidar com uma criança com TDO.


O TDO - Transtorno desafiador de oposição

Sintomas

  • Frequentes acessos de raiva

  • Desafio e recusa em realizar pedidos de adultos

  • Deliberada tentativa de irritar ou perturbar pessoas

  • Agressividade contra colegas

  • Dificuldade em manter amizades

  • Problemas acadêmicos

Causas

  • Combinação genética e ambiente

  • Falta ou excesso de fiscalização, inconsistência ou disciplina severa, abuso ou negligencia

  • Desequilíbrio de substancias do cérebro como a serotonina

Como lidar com o portador do TOD

  • Fale de perto com a criança

  • Regras devem ser simples e claras

  • Não dê espaço para negativa Elogio e recompensa não materiais são mais adequadas que punição para mudar comportamento

  • Tolere a frustração do seu filho

  • Conceda a seu filho e a si mesmo o direito de cometer erros

A psicoterapia ajudando você a entender a criança com transtorno desafiador opositivo

Qual pai ou mãe ou qual educador já não se deparou com uma criança teimosa e birrenta? Aqui ressaltamos, que é comum crianças manifestarem birras, sinais de teimosia e até mesmo desobediência causada pela dificuldade no cumprimento de regras, como um teste por parte delas em relação à autoridade de pais e professores. O alerta deve existir quando este comportamento opositor começa a ser frequente, perdurando por meses.

Ficar atento no comportamento do seu filho ou do seu aluno é o primeiro passo para identificar se você está diante de uma criança se impondo e se mostrando de acordo com a fase que está vivenciando ou se você está diante de uma criança com transtorno desafiador opositivo. Aqui ressaltamos que em alguns casos o portador de TDO também pode apresentar o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), sendo sua incidência em cerca de 50% dos casos.

Alguns comportamentos que você deve se atentar caso a criança manifeste por meses seguidos e a partir daí procurar ajuda de um profissional para os devidos diagnósticos e medicação, lembrando que o TDO ou qualquer outro transtorno deve ser avaliado e diagnosticado ou por um psiquiatra ou por um neurologista infantil e deve ser tratado o mais breve a partir do seu diagnóstico evitando assim o agravamento do transtorno.

Normalmente o diagnóstico é feito através da observação, por no mínimo seis meses e neste período e depois acompanhado por psicólogo e psiquiatra, na qual a criança deve apresentar, pelo menos, metade das características mais comuns apontadas pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais:

A criança perde a paciência com muita frequência;Discute com um adulto com facilidade;Tem dificuldades e recusa-se a acatar regras e desafia o adulto que a propôs;De forma proposital e frequente consegue perturbar as pessoas a sua volta;Culpa os outros pelos seus erros;Tem dificuldades para trabalhar e brincar em grupos;Se aborrece fácil rotineiramente;Demonstra ira, ressentimento, rancor e desejo de vingança em muitos momentos.

Talvez seja na escola que a criança mais apresente estes sintomas havendo então a necessidade do professor atentar se o aluno está manifestando as situações acima com frequência e a partir da verificação, chamar os pais para um diálogo e orientá-los a procurar ajuda de um profissional. Lembramos que o diagnóstico de transtorno desafiador opositivo só poderá ser feito por um profissional habilitado.

Diagnosticado o transtorno, o profissional, caso seja necessário, orientará o uso de uso de medicamentos que auxiliarão na diminuição da agressividade e da impulsividade da criança. Importante ressaltar que não existem medicamentos próprios para o tratamento do transtorno desafiador opositivo, o que existe são remédios para diminuir os sintomas, como a agressividade e impulsividade, como já citado.

Sendo o medicamento ministrado pelo profissional, provavelmente será orientada também o acompanhamento de um outro especialista, o psicólogo, e este por certo aplicará ou trabalhará com técnicas adequadas para atender às necessidades da criança. Este acompanhamento irá ajudar a diminuir o negativismo, ensinará novas formas de comunicação, formas menos agressivas, orientará a criança a controlar os impulsos e educará para novas habilidades sociais.

A terapia também é de grande importância e muito útil para os pais, pois os ajudará a entender o problema da criança e os orientará como lidar melhor com suas emoções, principalmente com a frustração e o sentimento de culpa.

O psicólogo irá aplicar a psicoeducação, que consiste em informar e orientar pais e familiares para o enfrentamento do problema a partir do seu diagnóstico. Orientações de mudanças de hábito na maneira de agir com a criança, o exercício da paciência serão recomendações para ajudar na convivência familiar. Além da união e do empenho da família, é preciso ainda criar uma parceria entre pais e a escola, para que todos mudem seus hábitos e sua forma de agir com o portador do transtorno desafiador opositivo.


Ajustes de técnicas parentais

É no seio familiar que a criança ou adolescente portador de transtorno desafiador opositivo vai começar o seu tratamento. E será na família, juntamente com pais, irmãos, avós e os parentes mais próximos que o portador de TDO terá a base para enfrentar e vencer o problema a partir de uma vivência de compreensão e empatia para com ele.

Segundo Teixeira, no livro O Reizinho de Casa, aprender a se comunicar com a criança sem alterações no tom da fala, fará com a que a sua comunicação com ela se torne saudável. Afinal se a criança tem um comportamento opositor ou agressivo, ao ver seus pais irritados, certamente ficará mais agitada. Então, quando falar com seu filho, que seja um diálogo natural, para que a conversa não fique estressante e improdutiva.

Abaixo algumas dicas para que a conversa seja construtiva e útil para a criança e calma e tranquila para os pais, sem o estresse do mal comportamento. Vamos tentar?


Os pais, cuidadores e educadores devem falar a mesma língua e concordar sempre nas mesmas regras e no cumprimento das rotinas diárias. Em nossa sociedade atual, tal postura tem sido incomum devido às separações e terceirizações educacionais, o que empurra a criança a ter vários e divergentes educadores. É importante, mesmo separados, que os pais tomem as mesmas atitudes com a criança mesmo que esta conviva em casas diferentes.

Procure falar de forma clara e de modo calmo. Use frases curtas e objetivas; deixando bem claro o que você quer e qual comportamento espera dele. Olhe naturalmente nos olhos dele, mantenha sua postura, seus gestos naturais. Não demonstre cara sisuda, carrancuda. Faça perguntas sobre as situações que envolvam o momento, não recorra a coisas que já aconteceram no passado. Faça perguntas em forma de diálogo e não pressionando e ouça com muita atenção as respostas dele. Ouça-o colocando-se no lugar dele. Procure ver as coisas boas que ele apresenta e destaque-os para você, para os familiares e principalmente para ele. Ajude-o a identificar suas emoções, converse passivamente com ele quando perceber que ele está ficando com raiva. É importante ele saber que você consegue identificar quando ele se enraivece. Converse e mostre a ele quando você está triste.

Sabemos que castigos e punições tem pouca eficácia. Portanto, uma das formas mais corretas é elogiar o que ele faz de bom e ressaltar mais seus acertos do que ficar falando reiteradamente de seus erros. Ignore os tropeços e lembre mais dos acertos deste jovem.

Ele precisa entender que decisões pensadas em conjunto para o bem de todos são vantajosas e ele pode passar a ganhar muito mais por este caminho. Mas, para isto, todos de casa devem ter a mesma filosofia, senão a criança sempre tenderá a seguir aquele que é mais permissivo.

Conviver e conhecer as preferências, gostos e momentos gostosos junto da criança auxilia na interação e aumenta o vínculo afetivo. Este tem um poder de induzir a uma adesão, um engajamento desta criança a cumprir regras e rotinas pré-definidas pelo cuidador, pois ela se sente recompensada.

Os pais devem ser mais “parceiros” de seus filhos e não somente “gerentes” educacionais distribuindo deveres sem proporcionar o prazer de sua presença para brincar e “olhar nos olhos”.

A consciência de uma criança está em desenvolvimento, deve sempre fazer lembrar aos pais de que se iniciarem a educação de seus filhos observando sempre as dicas acima já estarão reduzindo de forma significativa a chance de terem filhos desafiadores num processo saudável de prevenção ao desenvolvimento de comportamentos antissociais e de evitar que estes se tornem adolescentes irascíveis sem qualquer autocontrole frente à mínima frustração.

Dessa forma, os ajustes de técnicas parentais têm por objetivo orientar uma mudança de comportamento. Conscientizar os familiares da necessidade de estreitar os laços de afetividade com o portador do transtorno, exercitando a paciência e acima de tudo com bons exemplos. É um trabalho educativo das emoções dos adultos e da percepção para com a criança com TDO.


Os primeiros sinais do transtorno opositivo desafiador normalmente se manifestam na idade pré-escolar. O aparecimento do transtorno pela primeira vez na adolescência é menos frequente.

Apesar desses comportamentos serem considerados normais em um ou outro momento da infância e adolescência, no transtorno opositivo desafiador essas atitudes são constantes e excessivas quando comparadas com as outras crianças.

Quanto mais cedo o transtorno for diagnosticado e tratado, melhores são as chances de recuperação e prevenir que o quadro se torne mais grave.

O tratamento requer abordagem multidisciplinar e, principalmente, medidas psico-educativo e estratégias de como agir e conduzir esta criança em casa e na escola. Conhecer bem o transtorno é o primeiro passo, naturalmente. Mas saber como lidar no dia-a-dia pode trazer ganhos rápidos e eficazes para todos os envolvidos!


No que tange à escola, estas medidas acima podem ser úteis mas as estratégias devem ser ampliadas, pois o contexto institucional exige pelo menos 4 medidas em paralelo: a psicoeducação ou treinamento do estafe escolar (professores, gestores e outros colaboradores do ambiente letivo), treino de habilidades sociais, prevenção e manejo do bullying e reforço escolar na maioria dos casos. Muitas vezes, em casos mais severos de TOD, pode-se inclusive contratar uma atendente terapêutica para mediar conflitos mais contundentes e situações mais complexas.

O papel da escola no tratamento do transtorno desafiador opositivo

A escola é o local de convivência social entre as crianças e adolescentes proporcionando que os alunos através da convivência em grupo troquem experiências e adquiram conhecimentos e esses farão parte da bagagem dos alunos e serão de fundamental importância para o progresso do indivíduo.

O pedagogo ou o educador como é chamado, tem importante contribuição junto aos seus alunos na construção da identidade de cada um deles, mas, esses profissionais enfrentam um grande desafio desempenhando suas tarefas, além de saber lidar com comportamento opositor ou com a diversidade. Como é de conhecimento, a criança pode manifestar os sintomas de TDO em apenas um local, e algumas vezes este local é a escola. Daí a importância dos professores estarem atentos nos sintomas que caracterizam o transtorno desafiador opositivo.


O Transtorno Opositivo Desafiador pode representar um aspecto preocupante aos educadores, pois é normal que muitos desses profissionais ainda não saibam como lidar com tal situação.

É importante saber que quando uma criança apresenta características do TOD, ela pode ter bons resultados pedagógicos. Tudo isso depende, é claro, de algumas adaptações que visem ao que é esperado.


Adaptações que fazem diferença

A primeira sugestão é fazer algumas mudanças que podem beneficiar o aluno, como colocá-lo em um lugar que não o faça distrair. Sendo assim, vale tentar reposicioná-lo na primeira fileira, por exemplo. O TOD não é uma condicionante do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), mas os dois transtornos podem apresentar comorbidades. Estima-se que 50 % dos pacientes apresentem ambos.

O fato da criança não ter com o que se distrair favorece a apreensão do conteúdo e, consequentemente, um clima mais harmônico entre o pequeno e seus colegas. No entanto, é sempre bom ressaltar que cada caso pode variar muito.


Advertir comportamentos com calma

Quando o aluno quiser adotar comportamentos que chamem a atenção, a melhor maneira é não o repreender na frente dos coleguinhas. Ao adverti-lo, faça da maneira mais branda possível e nunca o coloque em uma situação de constrangimento. É importante que você estimule a amizade da criança.

Outra dica é manter a calma, mesmo em momentos de agressão. Quando a criança com TOD é contrariada, ela pode agir de forma mais ríspida e ameaçar a bater. A melhor forma de lidar com isso é segurar-lhe as mãos, agachar-se junto dela e falar com muita doçura para que a criança perca a coragem de prosseguir com o ato pensado anteriormente.

Por isso é aconselhável nunca debater com o pequeno para evitar situações que só trarão muito desgaste aos dois, principalmente a você.


Inclusão total da criança

Se a criança com TOD agir de maneira inadequada, não faça como muitos profissionais fazem erroneamente: isolamento. A solução é chamá-la para ser ajudante de turma ou pedir ajuda a ela para fazer parte de alguma brincadeira. Se isso não adiantar, procure estabelecer um contato com os pais e o terapeuta da criança para que você possa encontrar uma solução para essa rebeldia. A única coisa que não deve ser feita é submetê-la ao isolamento ou ao constrangimento.


Conquiste a simpatia do aluno

Eis aí um detalhe para os educadores: conquista. Claro que isso deve ser feito com todas as crianças, mas quando se tem um aluno com TOD, é muito bom que você o conquiste. O estabelecimento dessa parceria com a criança é importante e pode até mesmo inibir algumas ações que ela gostaria de fazer.

Entretanto, vale dizer que o tratamento responsável pela diminuição dessas características do TOD deve ser feito pelo psicólogo, psicopedagogo e outros terapeutas. A relação familiar também deve ser aprimorada a fim de dar ao pequeno as condições necessárias para uma vida bem melhor.


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